Trabalhadores devem defender setor produtivo e interesse nacional, diz especialista

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O papel da indústria como motor do desenvolvimento econômico e social esteve no centro dos debates na tarde desta quarta-feira (28) durante o painel ‘Política Industrial e a Indústria 4.0’ da Plenária Nacional dos Metalúrgicos da CUT, em São Bernardo do Campo (SP).



Ao final dos debates, os participantes aprovaram a proposta de criação do Instituto da Indústria, que terá a tarefa de formular propostas para o ramo. Foi aprovada também a indicação de fusão das confederações de trabalhadores na indústria, numa única estrutura, unindo metalúrgicos, químicos, têxteis, trabalhadores na construção e alimentação.

 

Promovida pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), a Plenária foi iniciada nesta manhã e tem o objetivo de atualizar o plano de lutas da entidade. O evento será encerrado amanhã e reúne mais de 120 sindicalistas de todo o país.

O painel teve como palestrantes o presidente do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, Pedro Celestino, e o técnico da Subseção do Dieese da CNM/CUT, André Cardoso.

Ao avaliar a conjuntura política e econômica, Celestino disse que o principal embate vivido na economia é entre quem defende o setor produtivo e o mercado interno e os que querem reduzir o país à condição de exportador agrícola, de minérios e de petróleo em estado bruto e “só pensam com o umbigo em Miami”.

Crédito: CNM/CUT
Plenário debateu e aprovou criação do Instituto da Indústria
Plenário debateu e aprovou criação do Instituto da Indústria

Para ele, a atual crise é semelhante à vivida no início dos anos 1950, quando o governo Getúlio Vargas criou a Petrobras e defendia a industrialização do país e era combatido pela elite exportadora de café, açúcar, cacau e minérios. “Se desmantelarem a Petrobras, como querem, os empregos vão embora de vez do Brasil, como fizeram no Oriente Médio e na Nigéria, por exemplo”, alertou.

Celestino defendeu a união dos trabalhadores e da sociedade com o setor produtivo, para defender a indústria nacional e o mercado interno. “Há 60 anos, o Brasil não tinha indústria e se transformou numa das maiores economias do mundo, porque tem as condições ideais para garantir o seu desenvolvimento: extensão territorial, recursos naturais e grande população. Países que não têm população, como Canadá e Austrália, dependem de mercados externos, unicamente”, assinalou.

“Hoje, lutamos para manter o país com propostas que interessam ao nosso povo e é dever dos trabalhadores batalharem pelo estabelecimento de uma política industrial voltado ao mercado interno. Para isso, é preciso garantir um tipo de indústria que assegure empregos. Não há desenvolvimento sem que se garanta os interesses nacionais. Foi isso que vivemos com o governo Lula e esses são os parâmetros mínimos para lutarmos pelo nosso projeto”,  pontuou.

Revolução industrial
Em sua apresentação, o economista André Cardoso falou sobre a evolução tecnológica e as chamadas “revoluções industriais”, destacando que essas revoluções vêm acompanhadas de ciclos de crescimento que, em determinados momentos se esgotam, o que obriga o sistema capitalista a buscar outros meios de manter e ampliar os lucros.

Cardoso fez um rápido histórico das três revoluções industriais passadas (a do vapor, em 1784; a de 1870, com o início da produção em massa; a de 1969, com uso da tecnologia da informação e automatização da produção) e fez uma breve apresentação da Indústria 4.0 ou a quarta revolução industrial, baseada em sistemas ciberfísicos. “Todos esses processos visam a busca de saídas para a redução de custos das empresas, principalmente o do trabalho. E a Indústria 4.0 chega com a perspectiva de eliminar milhões de postos de trabalho no mundo”, afirmou.

(Fonte: Assessoria de Imprensa da CNM/CUT)