História do Sindicato dos Metalúrgicos de Niteroi

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O Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói foi fundado em 1933 e até o final da década de 1960 representava os trabalhadores das pequenas empresas metalúrgicas de Niterói, quando a ditadura perseguia os trabalhadores do Sindicato dos Operários Navais conhecido por suas grandes lutas pelos direitos dos marítimos.

Na época este sindicato representava todos os trabalhadores ligados a empresas de navegação, construção e reparação de navios em todo o território nacional. Por causa das grandes greves por mais direitos e grandes lutas contra a ditadura militar, o governo militar interveio no sindicato, levando à prisão toda a sua diretoria com o objetivo de intimidar a luta dos trabalhadores.

O governo daquela época dividiu a categoria dos marítimos, passando a ser incluído como metalúrgicos os trabalhadores das empresas de construção e reparação de embarcações e com isso abriu espaço para criação de outros sindicatos, por exemplo, o dos marítimos, o dos mestres Arraes, dos moços de convés, etc. Restando para o Sindicato dos Operários Navais somente os trabalhadores das empresas de navegação que constroem ou reparam suas próprias embarcações. O resultado, por exemplo, hoje é que dentro de um único navio existem cerca de 7 sindicatos de trabalhadores diferentes.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, mesmo com os interventores indicados pelo governo militar ocupando espaços em sua diretoria, voltou ao cenário de lutas, pois os trabalhadores, já politizados e acostumados a lutar por seus direitos, obrigaram seus dirigentes, mesmo ainda dentro da ditadura militar, a retomar as greves por direitos dentro das empresas. Foi em Niterói que começou também a luta pela necessidade de criação de uma Central Sindical Única que unificasse toda a classe trabalhadora, no grande encontro de Gragoatá.

Foi o primeiro sindicato do Rio de Janeiro a se filiar a CUT, e o segundo do Brasil, na gestão do companheiro Abdias, na década de 80. Década em que aconteceu grandes lutas por melhores condições de trabalho com greves de até 33 dias.

Em seguida vem a década de 90 que inicia bem, também com grandes lutas na gestão do companheiro Amaury Paciello, mas que infelizmente a partir de meados dos anos 1990 iniciou-se a decadência do Setor Naval, devido ao grande escândalo da SUNAMAM, onde vários empresários que adquiriram empréstimos no FMM (Fundo de Marinha Mercante), deram calotes enormes. Com isso descapitalizaram o fundo e a indústria naval entrou para o roll dos setores de empresários desonestos. Esta década entrou para a fama como a “década perdida”. O Brasil que figurava no mundo como o segundo maior construtor naval do mundo, perde seu status para a Coréia.

Mas, os trabalhadores Metalúrgicos de Niterói não desistiram de lutar e acreditar que a construção naval no Brasil era viável. Ainda no governo FHC, final gestão do companheiro Amaury e início da do Mascarenhas, fazem várias viagens a Brasília com passeatas e mobilizações de trabalhadores em frente ao Palácio do Planalto, até que no ano de 2000, conquistam o conteúdo mínimo Brasileiro onde 45% das construções deveriam se feitas no país.

Após esta conquista iniciou a pressão junto a Petrobrás para construção de suas Plataformas e embarcações no Brasil. Com a vitória do Companheiro Lula as coisas melhoram e o conteúdo mínimo passa para 65%. O trabalhador e o empresário ganham acento no CDFMM (Conselho Diretor do Fundo de Marinha Mercante), antes composto somente por órgãos governamentais, e pelos trabalhadores metalúrgicos a cadeira é ocupada pela CNM-CUT.

Os incentivos dados pelo governo federal são muitos e a credibilidade do setor volta e com ele vários empregos retornam ao município de Niterói. Hoje, o Sindicato conquistou o maior piso salarial de profissional de ensino fundamental do país na gestão do companheiro Reginaldo e o conteúdo mínimo que as empresas em sua maioria praticam é de aproximadamente 75%.

Na atual gestão, o comando da entidade está a cargo de Edson Rocha. Sua habilidade nas negociações e o grande conhecimento do setor inovam numa gestão transparente e participativa. Edson implanta no Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói todas as ações vitoriosas e reconhecidas das grandes entidades sindicais do Estado de São Paulo, pautado numa administração reta e com efetiva participação dos trabalhadores. Em 2013, acontecerá a primeira campanha salarial com maciça participação dos metalúrgicos na construção da pauta de reivindicações.

Esse é o início de um novo tempo. Um Sindicato que figura entre os mais importantes do país e que é base para o piso salarial da categoria, agora mais próximo do trabalhador e com novas políticas de gestão eficiente.