Recuperação judicial ou ‘conversa pra boi dormir’

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Cheiro de mais um golpe no ar. Tantos argumentos para nada. Os Estaleiros Eisa Petro Um (Mauá) e Eisa Ilha enrolam os trabalhadores e não tomam posição em relação à Recuperação Judicial.

Numa reunião realizada nesta segunda-feira (09/10), onde deveriam participar os estaleiros, a Transpetro, a Log In e outros armadores, além da KPMG, empresa que administra a recuperação judicial, apenas o representante do Eisa Ilha, que empurrou o problema de Niterói para o Petro Um, e a KPMG compareceram. Já nenhum representante do Estaleiro Eisa Petro Um (Mauá) compareceu.

A KPMG informou que nenhum armador (cliente) respondeu às propostas de recuperação judicial. A dívida dos estaleiros já ultrapassa R$ 2 bilhões. Os armadores, como é o caso da Log In, estão preferindo comprar navios usados fora do Brasil ao invés de finalizar as embarcações já iniciadas nos estaleiros.

Transpetro quer fugir das suas responsabilidades

A Transpetro declarou que não é certo o interesse em terminar as embarcações que estão no Estaleiro Eisa Petro Um (Mauá). Ou seja, jogam o dinheiro do povo fora para comprar ou alugar embarcações em outros países. A Transpetro, mais uma vez, tenta fugir de sua responsabilidade com os trabalhadores brasileiros. Transferir a construção de navios para outros países é desconsiderar a função social da empresa prevista na Constituição da República e transformar em sucata no fundo do mar o suor dos metalúrgicos. Isso é golpe!

A Transpetro/Petrobras tem que assumir sua responsabilidade social. Os metalúrgicos não são mercadoria e não podem ter suas vidas e de suas famílias dependentes das vontades do mercado financeiro internacional.

O que essas empresas estão fazendo é “dumping social”. Trata-se de descumprimento reincidente aos direitos trabalhistas, capaz de gerar um dano à sociedade e constituir um ato ilícito ou até mesmo práticas desumanas de trabalho, pelo empregador, com o objetivo de reduzir os custos de produção e, assim, aumentar os seus lucros.

Não se pode mais aceitar o silêncio das autoridades judiciais e políticas. Vivemos um problema real, de perseguições e tratamento desumano com os milhares de trabalhadores demitidos sem suas indenizações. Pior! A falta de emprego na indústria naval se deve pelo fato das reiteradas ações da Petrobras e de alguns grupos empresariais brasileiros que apostam no desmonte para acabar com o setor. Enquanto isso, os trabalhadores agonizam.

As ações judiciais movidas pelo Sindicato e pelo Ministério Público do Trabalho já liberaram R$ 15 milhões que foram distribuímos para os trabalhadores e prestados contas na justiça. No entanto, ainda existem R$ 18 milhões presos que a Transpetro insiste em tentar travar a liberação apresentando vários recursos no processo trabalhista. A Transpetro tenta, a todo custo, fugir de sua responsabilidade na Justiça do Trabalho.

Nova reunião

 

A KPMG informou que em 2017 não haverá assembleia geral de credores. Possivelmente no início 2018. Uma nova reunião foi agendada pela administradora para 04/12.