UTC demite 2 mil funcionários em Macaé

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No mesmo dia em que a UTC Engenharia, uma das empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção que agia na Petrobras, assinou o acordo de leniência (espécie de delação premiada das empresas) com a Controladoria-Geral da União (CGU), a empresa demitiu cerca de 2 mil trabalhadores em Macaé, no norte fluminense.

Segundo a UTC Engenharia, o desligamento desses funcionários foi em função da decisão da Petrobras de bloquear parte dos pagamentos destinados à empreiteira. A Petrobras, porém, negou que esteja em atraso e que tenha encerrado o contrato com a empresa. Os trabalhadores atuavam nas plataformas da Bacia de Campos.

A UTC Engenharia suspendeu serviços de manutenção em 12 plataformas da Petrobras, localizadas na Bacia de Campos, litoral do Rio de Janeiro. A empresa alega que a estatal decidiu não aditar os contratos de manutenção offshore, conforme previsão contratual, interrompendo assim as atividades de contratos que atendem as plataformas P18, P19, P20, P26, P33, P35, P37, P50, P52, P54, P55 e P62. Em nota, a UTC declarou que implantará um plano de desmobilização de seu contingente no local.

"Dentro do propósito de defender os interesses e os direitos trabalhistas de seu qualificado quadro de funcionários, a UTC continua tentando, junto à Petrobras, a regularização e aditamento dos contratos", informou a UTC. A companhia também comunicou que está e sempre esteve à disposição da Petrobras para encontrar uma solução que minimize o impacto social de tal medida. "A UTC informou que nunca houve atraso de salários em toda sua história", acrescentou a empresa.

A direção do Sindicato está atenta com as atitudes da empresa também em Niterói. Há três anos, a UTC já havia demitido grande parte de seu quadro que atuava na cidade.

a Petrobras afirmou que a decisão da empresa UTC de interromper a prestação de serviços de construção e montagem em plataformas na Bacia de Campos ocorreu de forma unilateral e após intensa tentativa de negociação por parte da Petrobras. Em nota, a estatal diz que não solicitou a desmobilização do efetivo da UTC, uma vez que os contratos de prestação de serviços ainda estão vigentes e as obrigações assumidas pela companhia estão sendo regularmente cumpridas.

A Petrobras acrescentou que antecipou, na última quarta-feira (5), os pagamentos à UTC previstos para o final do mês de julho. "Esta antecipação foi excepcionalmente aprovada após pedido da UTC e teria como objetivo garantir o pagamento dos salários de junho dos empregados da empresa. Ainda assim, a Petrobras foi surpreendida com a decisão da UTC de desmobilização do seu efetivo a bordo", alega.

De acordo com a Petrobras, as retenções parciais de recursos realizadas pela estatal em junho e julho de 2017 se referem a falhas da UTC na execução de serviços contratados, em 2011, com a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul. O procedimento, segundo o comunicado, está de acordo com o previsto nos contratos celebrados entre as partes. "A Petrobras adotará as medidas administrativas e judiciais cabíveis em casos dessa natureza. Medidas contingenciais estão sendo tomadas para garantia da continuidade operacional e manutenção da segurança das instalações", encerra a nota.

No acordo de leniência, assinado pela UTC, nesta segunda-feira (10/07), a empresa reconhece os danos causados à administração federal por meio de práticas de corrupção e se compromete a reparar os danos causados.

No caso da UTC, foi acertada a devolução de mais de R$ 574 milhões aos cofres públicos por danos causados à Petrobras, Eletrobras e Valec. Em troca, a construtora se habilita novamente a ser contratada pela administração pública nas esferas estadual e municipal.

A possibilidade de voltar a ser contratada pelo governo federal ainda dependerá de aval do Tribunal de Contas da União, que em março deste ano declarou a empresa inidônea. De acordo com a CGU, o tribunal receberá informações do acordo celebrado nesta segunda para derrubar a inidoneidade.

Fonte: Imprensa STIMMMENI