Transpetro lança ao mar o navio José Alencar, quarta embarcação entregue pelos metalúrgicos do Estaleiro Mauá em Niterói

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O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, anunciou em seu discurso a autorização para construção de mais oito embarcações, no valor de R$ 1,4 bilhão.

 

 

Aconteceu nesta terça-feira, 14, a cerimônia de viagem inaugural de mais um navio entregue pelos metalúrgicos do Estaleiro Mauá à Transpetro, na Ponta D’Areia em Niterói. A embarcação, batizada de José Alencar, homenageou o Vice-Presidente da República, José Alencar, falecido em 2011.

Com 183 metros de comprimento e capacidade para transportar 56 milhões de litros de combustíveis, o José Alencar é o último da série de quatro navios de produtos encomendados pelo Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef) ao Estaleiro Mauá e custou cerca de R$ 160 milhões gerando mais de quatro mil empregos somente em Niterói. O empreendimento foi financiado com recursos do Fundo de Marinha Mercante. Em sua primeira viagem, a embarcação sairá do estaleiro Mauá, em Niterói, onde foi construído, para ser carregado com nafta e seguir para São Paulo.

O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, anunciou em seu discurso a autorização para construção de mais oito embarcações, no valor de R$ 1,4 bilhão.

“Estamos nos aproximando do terceiro pilar do Promef que é a sustentabilidade que nos levar ao pódio no mercado internacional da construção naval. Ninguém acreditava no projeto e nós mostramos que podemos construir navios, sim!”, disse Machado.


Machado revelou ainda que no dia 20 de dezembro foi dada a eficácia, ou seja, uma autorização, para a construção de mais oito embarcações pelo Estaleiro Mauá e que o contrato já foi assinado entre o estaleiro e a Transpetro. A medida foi comemorada pelos trabalhadores.

“Com essa nova encomenda garantimos um setor naval forte e o emprego em alta em Niterói e região. Tudo o que está acontecendo agora é fruto de um trabalho dedicado dos metalúrgicos que não fogem à luta e a cada dia demonstram para todo o mundo que somos capazes de fazer embarcações com qualidade. A expectativa é que cheguemos a cinco mil empregos no estaleiro nos próximos anos. E o Sindicato vai acompanhar o trabalhador dia a dia para garantir todos os seus direitos e suas bonificações nestas grandes conquistas”, acrescentou Edson Rocha, presidente do Sindicato.

O novo lote também é parte dos 49 navios e 20 comboios hidroviários previstos no Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef). Atualmente, há 12 embarcações em construção. Para este ano, está prevista a entrada em operação de sete navios e de três comboios hidroviários. O investimento total no Promef soma R$ 11,2 bilhões.

Participaram da cerimônia autoridades de todo país dentre elas o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, Josué Gomes, filho do homenageado José Alencar, o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, Edson Rocha, além de representantes da Transpetro e outros setores ligados à marinha mercante brasileira.

Além do navio José Alencar, estão em operação os navios de produtos Celso Furtado (entregue em novembro de 2011), Sérgio Buarque de Holanda (julho de 2012) e Rômulo Almeida (janeiro de 2013), todos construídos no Estaleiro Mauá.

“A entrega de várias embarcações em tão pouco tempo demonstra a capacidade da indústria naval brasileira de produzir grandes navios para atender as demandas da Petrobras. Os trabalhadores deram a volta por cima e calaram muitos pessimistas de plantão que jogavam contra o resgate do setor naval que só foi possível com presidente Lula e o vice José Alencar em 2005 quando construímos o Promef. Essa vitória é da classe trabalhadora, uma vez que muitos empresários também desconfiavam da nossa capacidade e defendiam a importação da mão de obra”, revelou Edson Rocha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói.

O filho do vice-presidente José Alencar, Josué Gomes, se emocionou durante as homenagens ao pai. - “Não tenho palavras para retratar o quanto esse momento significa para todos nós brasileiros”. - Ele lembrou a trajetória do renascimento da indústria naval comparando-a com a perseverança e a luta do pai pela vida durante 14 anos lutando contra um câncer.

Alex Alves da Silva, falou em nome dos trabalhadores do estaleiro e lembrou os momentos difíceis vividos pela categoria.

“Naquela época, antes do presidente Lula, do presidente José Alencar e da presidenta Dilma terem a coragem de resgatar a produção, nós sofremos muito. Eu vi companheiros vendendo balas nas ruas, nos sinais para levar o que comer para casa. Agora estamos voltando. Peço que não nos abandonem. Nossa família, nossos filhos querem continuar esse trabalho. Obrigado presidente Sérgio Machado, obrigado presidente do Sindicato”, finalizou Alex que pediu que todos aplaudissem de pé os trabalhadores do estaleiro.

O Promef impulsionou a reconstrução da indústria naval brasileira após uma crise de décadas, com investimento de R$ 11,2 bilhões na encomenda de 49 navios e 20 comboios hidroviários. O Brasil tem, atualmente, a quarta maior carteira mundial de encomendas de navios e a terceira de petroleiros. A indústria naval, que chegou a ter menos de 2 mil operários na virada do século, hoje emprega mais de 77 mil pessoas.

Com os sete navios entregues, o índice de conteúdo nacional será superior a 65%, quantitativo estipulado para a primeira fase do programa, garantindo geração de emprego e renda no país. Apenas no Estaleiro Mauá, onde o José Alencar foi construído, foram gerados 4 mil postos de trabalho, dos quais 1,2 mil diretamente na construção da embarcação.

Os principais países da indústria naval internacional, como Japão, Coréia do Sul e China levaram, respectivamente, 63, 53 e 23 anos para atingir a maturidade do setor. Em apenas 13 anos, o Brasil já obteve resultados comparáveis aos do mercado chinês.

Texto e fotos: Willian Chaves – WMC Assessoria ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )