Nota de repúdio às declarações da Petrobras contra o trabalhador brasileiro

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Estatal tenta desqualificar trabalhador brasileiro

 

 

O Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí vem a público repudiar as declarações da Petrobras S/A na ação judicial que tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, divulgadas em matéria pelo site Brasil Energia Petróleo, e que tratam sobre a concessão para empresas estrangeiras a construção das FPSOs de Libra e Sépia. A empresa tenta desqualificar a mão de obra brasileira como justificativa para entrega das obras para empresas multinacionais.

 

 

No entanto, a Petrobras S/A esquece-se de registrar que os atrasos ocorridos nas encomendas às empresas brasileiras são frutos de incontáveis mudanças do projeto original das embarcações. Toda mudança de projeto gera novos custos operacionais que, consequentemente, necessitam de alterações contratuais, prática que a empresa não realiza em contratos internacionais.

O Sindicato reafirma que os trabalhadores metalúrgicos do Brasil, em especial de Niterói/RJ, são totalmente qualificados e aptos a desenvolverem projetos em tempo recorde em total condição de igualdade em possíveis concorrências com a mão de obra internacional.

O que se vê é uma clara demonstração de falta de compromisso social com o país e interesses, no mínimo ‘estranhos’, na entrega das encomendas nacionais ao capital estrangeiro.

A Petrobras alega prejuízo de R$ 105 milhões com a liminar que proíbe a estatal de realizar o pregão. Os leilões, que deixam de fora empresas brasileiras, são objetos de questionamentos da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNMCUT), que participa do processo como terceiro interessado, e o Sindicato das Indústrias Navais (Sinaval) patrocinador da ação.

Acontece que, a Petrobras, além de desrespeitar o trabalhador metalúrgico brasileiro, busca subterfúgios para descartar o programa de Conteúdo Local, que estabelece que seja dada preferência à contratação de fornecedores brasileiros, garantidos a concorrência leal de preços. A estatal sequer contatou os estaleiros brasileiros para participação nos pregões.

O Governo Federal e a Petrobras devem entender que o conteúdo local é também uma questão social. Ele garante o fomento da indústria de navipeças, o setor de siderurgia e gera milhares de empregos diretos e indiretos. Nós, trabalhadores brasileiros, estamos preparados para construir grandes embarcações em larga escala. Temos uma mão de obra muito qualificada e estaleiros prontos para produzir. O conteúdo local deve ser encarado como política de Estado.

Queremos trabalhar, a Petrobras não quer deixar!

Edson Carlos Rocha – Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí e Diretor da CNM/CUT